NEPTUNO DE VOLTA






«Lorenzo» sucede a «Neptuno» [fotografia de Pedro Taborda]

SOCIEDADE | Tal como o Homem, a Natureza tem caprichos e fantasias que se revelam nos momentos de exceção


QUARTA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2019 | Há 33 anos, 7 meses, 2 semanas e 2 dias os Açores e o Faial foram atingidos por uma grande tempestade. No dia 15 de fevereiro de 1986.

Além da destruição provocada pelo ciclone, simbolizada pela queda da araucária que existia no Largo do Duque de Ávila e Bolama (Largo da Matriz), na cidade da Horta, outras histórias aconteceram, como o facto de ter sido difícil apurar a velocidade da rajada máxima de vento por incapacidade dos anemómetros.

Falava-se, na altura, que o vento chegara a soprar a 250 km/h e que o Observatório Príncipe Alberto do Mónaco, na Horta, só registou 150 km/h, ao passo que no Aeroporto da Horta haveria registo de 220 km/h.

O autor desta notícia, Souto Gonçalves, repórter da RDP-Açores (hoje Antena 1 Açores), perante a quebra de comunicações, teve que recorrer ao sistema dos radioamadores para enviar para os estúdios de Ponta Delgada os primeiros relatos da tempestade. Fê-lo a partir da estação do radioamador Ruy Menezes, na Colónia Alemã.

Na tempestuosa tarde desse dia, véspera de Eleições Presidenciais, José Henrique Azevedo «Peter» fotografou as ondas a treparem pela vertente oeste do Monte da Guia. Tempos depois o Peter Café Sport divulgava, em postal, a silhueta do que denominou «Neptuno na Horta».

O «mudo», popular colaborador do Café Sport, presenciando o patrão a mostrar as fotografias da tempestade a um cliente estrangeiro, tinha chamado a atenção para o «desenho» que a rebentação das ondas tinha formado e se assemelhava ao perfil de um rosto de longas barbas e cabelo desgrenhado.

A partir dessa altura a descoberta do «mudo», que o Peter imprimiu, começou a correr mundo e foi motivo de reportagem na imprensa.

Hoje foram publicadas no Facebook algumas fotografias do furacão Lorenzo e os seus efeitos em Porto Pim. Entre elas reconhece-se o «sucessor» de Neptuno - aparecido no mesmo local -, que Pedro Taborda, o fotógrafo, apelidou de Lorenzo.

Com capricho e fantasia, a Natureza, num momento de explosão, voltou a proporcionar, por mero fruto do acaso, um quadro de beleza e arte só ao alcance do punho de um artista, com a particularidade de criar uma situação que se julgava irrepetível.

Honra ao fotógrafo que, embora não premeditadamente, eterniza tão singular lapso de tempo.

Além disto, a chaminé que surge em primeiro plano parece que está a fumegar, em resultado de outra curiosa concidência, só possível de observar quando alguém se mostra disponível para ser surpreendido e desde que, obviamente, tenha uma máquina fotográfica à mão.

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